domingo, 20 de março de 2011

Parei de escrever.

Parei porque todos os meus versos dos últimos cinco anos foram a teu respeito. Parei porque todas as vezes que uma frase me surgia em mente era você o causador.
Parei de escrever.
E durante exatos seis meses me vi aqui, diante a um papel em branco ou quem sabe uma tela a ser preenchida por qualquer que fosse o sentimento, expressão, palavra...
Pois parei de escrever.
Esperando que essa abstinência passasse, esperando com que o tempo curasse e que a rotina saísse do comum.
Parei com os mesmos lugares, as mesmas amizades e os papos oriundos.
Daí, parei de escrever.
Parei de lamentações, dramas, filmes românticos e vinho em dias chuvosos.
Parei de me esconder.
De usar o universo mágico das letras como refúgio,caminho até você.
Parei de apenas ser: Redescobrir-me, conhecer-me, aprendendo a tecer novas formas de se prosseguir...
E no presente, retorno aqui: Pois de teu vício eu me curo através daquilo que te trouxe sempre para perto de mim.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Foram tantos os dias em que me perdi em pensamentos ilusórios. Foram tantas historias que criei para nós dois. Dias em vão, dias sem volta.
Queria eu poder retroceder ao tempo e dessa vez deixar você partir. Porque meu coração estaria menos ferido se houvesse tempos melhores, meu coração estaria vivo sem a sua presença...
Foram tantas as mentiras, falas ensaiadas, enquanto eu concordava com toda a situação. Foram tantos choros, tantas noites de sono perdidas, tantas brigas,tantas lamentações...
E agora eu só peço que essa porta se feche e que você me deixe com a minha solidão.
Foram anos jogados fora, amor desperdiçado, juras desnecessárias. Foram planos,desejos,beijos,toques em falso. Amor sem encanto, sofrimento oculto.
E eu queria apenas retroceder no tempo a tempo de dizer que não da mais, que cansei de desse fogo que queima a minha alma e me deixa sem chão e que eu, enfim, desisto de você.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Me perdi no abismo dos seus olhos, caminho sem volta.
Me encontrei no seu corpo trêmulo, cheiro único
Me saciei na tua boca efêmera, gosto sem igual
Me entreguei ao seus braços ríspidos, delírio
E desejei a eternidade a nós,pecado capital...

terça-feira, 7 de setembro de 2010


O que me dói não é o fato de você não ser meu, nem a sua estranha mania de estar em más companhias, o que machuca é o esse teimoso amor, que não se apaga, não destrói e cresce a cada dia que se passa. O que me mata não são as declarações que você tanto faz a ela, nem as milhões de vezes que a tua boca se perde na dela, o que me faz mal, me corrói e esse imenso desejo que aumenta do nada, esses sonhos que alimento sem ao menos um por que e essa débil vontade imprescindível que meu corpo tem de te pertencer sem mais delongas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Timidez

Que tantas vezes me atrapalha me priva e me enlouquece, que me impossibilita chegar perto de alguém.
Timidez quando você passa.
Que tranca a minha voz, que tira minha respiração.
Difícil.
É difícil ta perto sem tremer. É difícil dizer tudo aquilo que tenho aqui guardado pra dizer.
Maldita timidez!
Que tira de mim toda coragem, que me deixa sem qualquer reação, qualquer assunto, qualquer conclusão.
Timidez: é essa palavra que me mata.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sabe que o meu gostar foi um quase amor.
Uma tentativa desesperada de encontrar em alguém aquilo que já não existia em mim. A imensa mania de me entregar sem razão, sem conceito.
Sabe, o meu gostar de você foi quase uma bela paixão.
Que queimava por completo com um pensamento suspeito, que brincava com as palavras em segredo e fazia se passar sem perceber quando estavas por perto.
Sabe, a minha necessidade quase foi você.
Que tinha a impressão de saber meus desejos, a mania de traduzir gestos e a timidez exata que me completava.
Sabe, por um instante, breve, pequeno instante, era você.
Mas meus dias passaram, as noites de sonho acabaram e ainda, de vez em quando, me bate a dor.



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Mas uma noite soturna.
O frio atravessa a janela do meu quarto e se estaciona aqui, bem perto do meu coração.
Gelo.
E de repente uma onda quente de lembranças vem em minha companhia. Lembranças de noites ferventes, noites gloriosas.
Noites que você estava aqui, com seu corpo gelado junto ao meu, seu hálito fresco em meu pescoço e suas mãos tremulas contornando cada parte de mim. Momentos em que sua voz era sussurro em meus ouvidos,seu beijo era fruto proibido do qual a minha boca não cansava de provar.
Momentos puros de amor.
Um amor misturado a desejo, um traço de romance e prazer;
Mas você se foi.
Como o dia que amanhece, o céu que clareia e os pássaros que migram.
Você me deixou, sem compaixão.
Como se tudo aquilo dito e vivido nos emaranhados da noite tivessem desaparecido juntamente com as fantasias do verão.
O outono se foi, minha porta o inverno abriu.
E nessa cama que você perpetuou segredos, ninguém nunca mais se deitou.