sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


São só pensamentos. Pensamentos perdidos e embriagados pela noite, pelo brilho da lua e por tudo aquilo que nunca foi dito.
São só sensações. Sensações desnorteadas de desespero, solidão, angústia e no fim, paz.
Silêncio e tranqüilidade, enfim posso me ouvir claramente, mas não posso me decifrar.
As vozes vêm e vão, ora perdidas ora encantadas.
Noite a fora avança, já é quase amanhecer e um pequeno barulho vem em meu despertar delirante.
Mais alguns minutos, eu me dou.
Sou mais do que gestos, planos e feitos. Sou um questionário de devaneios que ganha vida em uma noite de lua cheia e liberdade nas linhas de um antigo caderno com garranchos e rasuras.
Eu sou o gosto, o molhar da chuva, a maresia, a poesia já esquecida. Eu sou a noite solitária, o gato que mia no telhado, a brisa que bate e trás vigor.
Eu sou o simples, o complicado, o agradável, o imaginável. Sou a força, a fraqueza, o sorriso, a tristeza e mil e umas coisas das quais quero ser.
Eu sou aquilo que você vê que você sente aquilo que não dirias ser.
Eu sou a própria, a única, a inexistente.
Talvez seja assim: de tanto ser e a tantas almas pertencer, nunca descobrirei realmente quem sou eu de verdade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Serei sua lua, se me prometeres eternamente ser meu céu
Serei sua rainha se me prometeres inquestionável lealdade
Serei seu jardim, se prometeres cuidados e amor
Mas no fim, se estiveres exausto, serei sua fuga e seu destino incerto.
Chegam horas na vida que tudo lhe cansa; as flores perdem os aromas, os sorrisos lhe parecem falsos e o tempo seu inimigo. Sua vida se resume em um pequeno quarto sentando a beira de um computador esperando que a música que lá fora toca seja compatível e demonstre algum tipo inspiração.
Chega uma hora na vida que suas roupas são insignificantes, que seu estilo é bizarro e seu palavreado chulo; chega um momento em que você se vê só, quer estar só, e se tranca em um pequeno quarto onde o som lá de fora lhe toca e faz milagres.
Mas chega um momento no meio desses momentos que você percebe que é feliz; percebe que o vestido novo lhe fez sorrir, os velhos e bons amigos ligam chamando por ti e aquele belo par de olhos já quase esquecido grita por você.
Talvez a felicidade seja ruim para os negócios, transparece sensações das quais o comercio e a mídia tenta esconder. Talvez a felicidade seja indesejável por nós humanos, porque sempre que a temos deixamo-la partir com uma facilidade tremenda.
Talvez gostemos de ser aquilo que dizem, e não aquilo que somos; os tons, os moldes, tabus, tudo parte de uma invenção: a nossa invenção.
É tão simples ser feliz, mas fazemos das mais simples coisas, as mais complicadas e impossíveis.Gostamos da luta, da procura, da vitoria, mas nunca nos permitimos ganhar.
E se você, em um momento qualquer, resolver saber quem é realmente, se cansar da rotina e resolver se entregar aos detalhes,quem sabe, descubra o seu verdadeiro eu, a sua vitória e aquilo pelo qual sempre procurou. Porque infeliz não é aquele que sonha, mas aquele que nunca se permite sonhar.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sabe a vida não é problema, não é angustia e aflição.A vida é alegria, uma tarde na praia, uma festa entre amigos, uma noite especial.
A vida é um brindar de taças, um sorriso espontâneo, uma bobeira dita. A vida é um motivo a ser festejado, um assunto engraçado e um papo cabeça, gentil.
A vida são passos, tropeços, quedas, recomeço.
A vida é isso: o hoje, o agora e o sempre.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Apesar de alguns salários não serem grande coisa, das pessoas acharem hipocrisia ou coisa qualquer, ser jornalista é mais do que escrever um simples texto sobre determinado assunto: ultrapassa as barreiras do entendimento, vai além das paredes da razão e dos limites impostos.
Ser jornalista é ligar para aquilo que é real e tentar de alguma forma mudar a situação global.
Ser jornalista é escrever pra si mesmo, é fazer bem feito, é tentar ajudar o próximo com um pequeno gesto de humanidade.
Ser jornalista não é expor, não é inventar, não é mentir.
Ser jornalista é apenas ser aquilo que sempre quis e apenas fazer o que quer.
Ser jornalista é mais, é ser mais do que se pode ver.
Ser jornalista é refletir, é tentar, é agir.
Ser jornalista é colocar em cada entre linha aquilo que pensa.
Ser jornalista é arrumar um meio de que todos possam ser iguais, independentes de etnia, raça, gênero.
Ser jornalista é querer lutar pelo direito do povo
Ser jornalista é dizer a cada um em cada lugar que por mais cruel que pareça ser a vida, que pareça ser o nosso país, podemos e devemos continuar fazendo a nossa parte e que só assim, um dia, todos nós, juntos, podemos vencer.
Eu reflito, eu lhe informo, eu escrevo.
Sim, ser jornalista...
Ultimamente eu tenho lido muito sobre distúrbios alimentares e suas conseqüências. Essa procura insaciável pelo peso ideal, o corpo perfeito e a imagem adequada vêm atingindo cada vez mais e mais jovens que se dispõe a virarem escravas de uma beleza completamente inventada e padronizada, uma beleza que não respeita limites e apenas propõe-se a dor.
Muitas dessas meninas acreditam que são as únicas a passarem por tal processo, e mais, escondem-se em um casulo de amargura, timidez e vergonha: a vergonha por se submeter a esse processo, a vergonha por ser vítima de uma “regra social” e a vergonha pela critica e julgamento que estará sujeita se descoberta.
Daí surge à depressão. Crises constantes de choro, mudança repentina de humor, idéias contrarias, incapacidade de controlar o que come seguido de arrependimento e seqüências forçadas e desesperadas de se redimir...
A mulher se modifica se fecha se subestima.
É tão estranho e ao mesmo tempo tão real. A quantidade de adolescentes vítimas da bulimia ou anorexia é maior do que tantos imaginam e pior: essas jovens acabam se esquecendo do que são capazes.
Começa então a luta desesperada por um fim, um basta nessa angustia, nesse mal, mas não se pode recomeçar sozinha e, elas, sentem-se sozinhas.
Pois bem meninas escutem: vocês não estão sozinhas, ninguém está sozinho. Por mais que haja obstáculos em suas vidas, temos com quem contar. Basta olhar para o lado, veja aquele que lhe ergue a mão, não desanime, prossiga.
Por mais que pessoas critiquem, por mais que existam preconceitos e tabus, você pode ser aquilo que quer e não há ideologia alguma que impeça isso, porque mais do que um corpinho e um rosto bonito, somos aquilo que criamos, lutamos e conseguimos.
Fases passam! E quando for à hora certa, façam suas escolhas, quebrem suas correntes e dêem uma nova oportunidade a quem são de verdade.

sábado, 16 de janeiro de 2010




Já beira o entardecer.
De longe os pássaros voam em bando exaltados, colorindo o céu; nas ruas, conversas e passos que vem e vão, sem parar. Mas aqui dentro, faz silêncio. Um silêncio fascinante, diferente, uma atmosfera de paz e magia.
Ao lado, um pequeno pedaço de papel com algumas rasuras: rascunhos de palavras e pensamentos sacramentados e condenados a ficarem a sós.
Guardei-os dentro da pasta. Por hoje, me basta.
É impressionante como o dia só se completa, só se entende, só se manifesta depois de escrever.
 Vai ver é assim: como todas as artes, a escrita é um vício penoso do qual seu dependente tende a não se curar.
É um mal: um mal que salva, que consome, que inspira. Um mal que faz parte do dia que se vai e só se vive se for guardado dentro de uma pequena pasta alaranjada, onde o tempo fará seus milagres.